Durante essas últimas semanas fiquei bastante preocupada com o processo de fazer a pequena entender que a vovó iria para esse tal de Estados Unidos e que seria uma viagem longa. Depois de pensar bastante, resolvi explicar a ela da mesma forma que expliquei a separação do papai e da mamãe, e lá vieram os fantoches. A historinha se baseava na vovozinha que morava com a netinha e que embarcava em um aviãozinho que voava, voava até chegar num lugar bem distante e encontrar com outros dois netinhos. Chegando lá a saudade apertava então a vovó ligava o computador, e falava com a netinha e elas se divertiam muito e contavam suas aventuras.Muito Bem! Conforme os dias foram se aproximando fui sendo tomada por uma grande irritação, tristeza e segurei a onda, afinal os adultos não podem se abalar, onde já se viu? Vários dias com olhos marejados me escondia em algum cantinho para deixar a lagrima escorrer, para ficar com raiva e um tanto de medo também da saudade que eu ia ter. Enquanto isso todas as chatices da vovó iam se evidenciando, afinal ela não podia esquecer-se de dar aquela dica, que ela nunca utilizou, mas que se eu usasse... Ah sim! Seria o caminho para felicidade. O que mais irrita nestas horas de partida é o fato de você amar a pessoa como um todo e pensar que vai sentir falta das chatices que você já não suporta mais. Último dia chegou, e agora era questão de horas e eu já não cabia mais em mim. Choraminguei diversas vezes no dia, precisava falar, precisava chorar, a verdadeira vontade era de dizer: mamãe por favor, não vá! Correria o dia todo, mala por fazer, aquela loucura que só quem conhece a minha mãe vai entender.Escondendo a emoção e sem ter com quem falar, fiquei rodeando-a sem nenhuma vontade de ajudar até a hora da pequena ter que dormir. Eu me abaixei e expliquei que aquela era hora de se despedir, e que a vovó pegaria o avião para um pais longe daqui. A vovó carregou-a para cama, se abraçaram e deram um beijinho. Eu chorei e elas sorriram, disfarcei. Me deitei juntinho da pequena que me abraçou forte, encostou a cabecinha no meu peito e eu comecei a soluçar. - Você tá rindo mamãe? - Estou chorando, filha. - Porque? - Por que a sua vovó vai embora. Ela ainda encostadinha, fez carinho no meu braço e disse: - Não precisa chorar não, mamãe. E eu solucei e ela continuou: - A gente vai conversar com ela pelo skype, ta bom!? Abraçou-me forte e eu comecei a rir. Ela respirou forte e se virou para dormir. Me senti tão segura, tão boba e tão sortuda! Tudo ao mesmo tempo. Ainda em clima de desabafo encontrei um amigo disposto a ouvir e entre milhares de coisas legais,um trecho me marcou: - O olhar de uma criança tem uma "maturidade" da qual perdemos quando nos tornamos maduros.E a saudade bonita? É um obstáculo que enobrece a gente!
(O Mundo de Débinha)
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