E aquela moça que era inteira vinha se acostumando com as metades
meio café, meio sorvete, meia cama, meio tempo,
travesseiro, ligação, olhar,
toque, sorriso, meio beijo e até meio chiclé!
E foi ficando pela metade...
meio brilhante, meio feliz, meio atraente, meio cheirosa,
meio interessante, meio bonita....
Até que um dia não pode suportar: se sentia, agora, menos que uma metade.
Enquanto ele a esperava no bar da frente, se banhou, se vestiu,
se maquiou e parada em frente ao espelho, sorriu.
Estava tudo no lugar, a pele, o cabelo, os olhos e seus cilíos pretos.
Ela que sabia combinar como ninguém, percebeu somente agora que não combinava com metades
e achou, no mínimo deselegante, o meio.
Reparou no brilho que tinha nos olhos e gargalhou alto: que bobagem!
Esvaziou-se facilmente daquilo que já nem se podia chamar de metade, com alívio.
Interessante, atrente, bonita e cheirosa como nunca tinha deixado de ser.Vestiu sua camisola mais bonita, se tocou e satisfeita dormiu.
( O mundo de Débinha)
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