O Jardineiro

Jardineiro

Flor delicada merecia morada mas, 
no entanto ao relento foi deixada.
Colorida pelo amor inocente que sentia,
Sofria.

Sob vento, chuva e temporal
O frio a cortava e o
jardineiro,nem se quer a olhava.
Ela era forte, acreditava.
Se mantinha aberta
num esforço enorme
de seduzi-lo
com suas cores
e cheiro.

Agarrava fortemente
suas raízes na terra,
naquela tortura
que conhecia como amor

Sentindo-se feia
já seca e sem cor,
adoeceu e maldisse aquela dor.
Fechou-se e prometeu
Nunca mais se doar pro amor.

Por ali passava novamente aquele senhor
e como sempre, ela não notou.
Assustado com o que via, não suportou.
Com delicadeza a tirou da terra
e num vasinho colorido a plantou.

Colocou adubo,
regou e segurando-a
em suas mãos, para sua
casa a levou.

Em cima da mesinha
bem pertinho da janela
era iluminada pelas
melhores horas do sol.
Não sentia frio
Não fazia esforço
Percebia o movimento,
desconfiada, e entre
pétalas ainda fechadas.

Alegrava-se com
as canções que soavam pela casa.
Se deliciava quando ele a regava
e descobria palavras doces
que ele declamava.

Através do vidro
muitos assistiam,
com expectativa,
seu caule já verdinho
contrastando com o
delicado vasinho.

Uns a cobiçavam e
as outras flores a invejavam,
enquanto ele a admirava sem cansar.
Assustada e ainda fechada
possuía um desejo enorme
de se abrir,
enfim retribuir com sua cor,
mas não sabia se o amava
pois não sentia dor. 

(O mundo de Débinha)

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