Dançar a saudade, arde.


No armário, em meio a uma montanha de roupas, aquele moletom vermelho.
Feio de doer, ainda tem o cheiro dele. 
Ódio, amor por aquele cheiro. Detalhe intrigante.
Pessoa que não usa perfume, tem cheiro de corpo, de pele. 
Inconfundível. 
Deu de ombros, mais uma vez, para aquela saudade que não devia ter.

No salão, a musica mexe todo seu corpo e sua alma não ferve.
Desbaratinar o pensamento, o cheiro da memória dos movimentos dos corpos, perfeitamente simétricos.  Missão impossível em um clássico : "Abril despedaçado." 
Intimidade absurda da aproximação, sintonia vertical de satisfação plena eram os sinais simples e obvios do que a marcaria para sempre.

Espera pelo dia em que terá de volta a posse do seu próprio corpo, boca, movimentos e de sua dança. Enquanto isso, disfarça, ama, dança, arde e não ferve.

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