Não havia postado este texto que fiz após a visita do meu irmão ao Brasil.
A vida é mesmo curiosa, quanta coisa ruim e boa pode acontecer simultaneamente sem que as tenha planejado ou até pressentido. O fato é que os sentimentos resolveram fazer presença, e vieram no mesmo vagão, desembarcaram na minha vida como se dissessem:
- Quero ver só como se vira!
De desespero o estomago gritou e ainda grita, afinal não se sentia responsável a digerir tantos sentimentos e para resolver, decretou greve aos alimentos.
Junto com os primeiros obstáculos, frustrações vieram pessoas que me fizeram sorrir, de repente me encontrei dentro do meu corpo, era eu ali de carne e osso, o amargor já estava evaporando, e o sorriso, meu jeito, estava tudo aflorando novamente em mim.
O otimismo que me era muito comum e que há tempos não aparecia, resolveu aflorar junto com tudo o eu que já tinha esquecido.
Mas os problemas não têm respeito por momentos sublimes assim, chegam de sola pra por a prova, e dizer que não é tudo tão lindo assim.
-Não se pode ser tão ingênua! isso não é novela! vida de ADULTO querida...acorda cinderela!
Como tudo demora a evaporar por completo, me veio a sensação de uma realidade aumentada/inventada, tudo de bom não poderia ser verdade, quis nesta segunda-feira desmentir tudo o que estava sentindo, vivendo, curtindo, amadurecendo...
-Ora quanta inocência! A vida é mesmo amarga, tem mesmo é que ser pessimista, não há tempo pra amigos, não há tempo para risadas, não há tempo para brincar com a sua filha, rala!
-Se proteja, não viva, azede.
Tudo isso concluído e decretado em questão de meia hora, afinal sempre fui conhecida por ser prática e sempre tive o desejo de ser o máximo racional.
Ahhhh! Mas o que eu precisava chegou, pedaço do meu coração, com um sorriso, com um abraço e muitas fotos que eu desejava viver.
Saudades coladas na pele, disfarçadas de hidratante barato, que desidrata, envelhece.
Olhar azul que sempre me acompanhou com carinho e preocupação que eu desconhecia, um pai ingênuo, que me fazia, ao mesmo tempo, sua mãe, muita loucura para criança que éramos, mas companheiros, eu o admirava como o ser humano mais lindo e puro da terra, queria ser ele.
Em algum momento da vida nos perdemos, enquanto fugíamos de nós mesmos, não nos reconhecíamos, como lembraríamos um do outro?
Hoje, eu Mãe e ele Pai, os papéis estão finalmente corretos, nos olhamos e nos reconhecemos dentro de cada um, que alívio.
Ele não me trouxe o balde d’gua para apagar os incêndios que estão por aqui, também não me trouxe um livro de prevenção, me trouxe a última coisa me faltava lembrar de acreditar.
Somos dignos de amor, sempre fomos únicos, diferentes, amáveis, carinhosos, sonhadores, incompressíveis, ingênuos e sempre fomos assim tão parecidos e audaciosos.
Eu sou um pouco dele e ele é um pouco de mim. Não temos vergonha de sermos assim. Intensos!
Que venha a danada da vida com seus obstáculos, que venham os amigos, as risadas, as decepções e as deliciosas incertezas, finalmente estou abastecida de mim.
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